27 de nov. de 2007

QUEREMOS SER O PETER PAN ?


Conversando com um velho amigo esta semana, lembramos de várias épocas de nossas vidas, boa parte delas vivenciadas juntos, e no meio de nossas saudosas lembranças, foi falado "éramos mais felizes naquela época". Pensando sobre isso, indaguei se realmente éramos mais felizes, por não termos as preocupações, anseios, vontades e necessidades que temos hoje ou, se o amadurecimento, experiência e as obrigações que adquirimos com o passar da idade, não nos faz ver de uma forma mais simples que também somos felizes agora e não somente os fardos que temos que carregar. Comparamos sempre alguma fase, emprego, relacionamentos (ou, o que achávamos ter ), o sexo livre sem compromisso, os nossos "ficantes", quando tudo era permitido, pois estávamos na época da descoberta, olhar pelo retrovisor de nossas vidas, e de uma certa forma queremos dar a meia volta com o nosso carro, para que não fique lá atrás, como historias que contamos em dia de porre. Mas será mesmo que devemos resgatar esses momentos ? Ou será que devemos apenas olhar para trás, como se olha na janela de um carro quando se esta em uma estrada ? Como se olhasse para a paisagem e visse algo poético mas passageiro. Ao lembrar de nossas "outras vidas", sempre nos deparamos (pelo menos para os sortudos), e vemos a imaturidade de nossos sentimentos estampado nas camisetas Hering ( na época que realmente era básica), ou a sede pelo novo bordado nas nossas calças US Top. Mas porque temos essa vontade de voltarmos atrás ? O amadurecer é tão assustador assim ?
Será que Peter Pan é que estava certo ?
Responsabilidades são inevitáveis, mas aceita-las é uma opção ? Me pergunto sempre se ao
negar as rugas que nossos espelhos fazem questão de salientar, não seria uma forma regredir,
de não nos deixarmos vivenciar esse "novo" novo, ou será que o que sentiamos no passado é
pode servir como um Renew para as rugas que enfrentamos diariamente ?
Temos hoje em nossas vidas, pessoas, situações, experiências que sempre nos fazem pensar se devemos ir adiante, ficar onde estamos, ou em alguns casos, andarmos para trás. Mas quando
percebemos que tomamos algumas dessas alternativas ?
Algumas pessoas tem realmente fobia em ir adiante, ficam estagnadas onde estão, pois crêem que estão mais seguras, como Peter Pan, que na Terra do Nunca é um rei, mas fora dela não
passa de um garoto.
Não podemos negar que uma vida sem obrigações, responsabilidades é o que todos nós gostaríamos de ter, mas é o que devemos esperar de nós mesmos ?
Queremos realmente ser Peter Pan ?

26 de nov. de 2007

ABANDONAR AS ROUPAS ...

E mais um texto do mestre ...

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

25 de nov. de 2007

PEDRO X CEREAIS


Pedro era um menino hiper-ativo .. toda manha, logo após comer o seu cereal, vai a escola, ao chegar, ajudava sua mãe a colocar a mesa para o almoço e logo após brincar com os seus amigos, e isso durava a tarde inteira ! Ao anoitecer,quando sua mãe corrigia sua lição de casa, dizia tudo o que aconteceu durante a tarde, as brincadeiras e também as brigas. Sim, Pedro sempre gostou de confusão, nunca deixava para depois o que lhe aborrecia, com essa personalidade era considerado o "líder" do grupo, e com isso, não jamais era de lado no futebol, seu esporte favorito, uma posição que não fosse a de atacante ... E isso era sempre obedecido por seus fiéis amigos.
Em uma dessas tardes, haviam um grupo de meninos mais velhos no parque onde sempre era marcado o futebol, com isso, a lei do "quem pode mais, manda" prevaleceu, esses meninos decidiram em qual posição cada um iria jogar. Pedro contestou, gritou, esperneou, mas acabou cedendo. Permaneceu na mesma posição em que foi colocado, até todos irem embora. Chegou em casa, emburrado, não querendo falar com ninguém, nem mesmo suas mãe soube o que acontecera naquela tarde.
No dia seguinte, na escola, ficou emburrado, se perguntando o porque fizeram aquilo com ele, já que é um excelente atacante e o colocam na defesa !! Mas logo seus amigos fiéis, conseguiram acalentar o ego do menino atacante. Ao voltar para casa, lembra das comerciais que vê na televisão sobre os cereais que come toda manhã, nelas dizem que faz crescer, que faz ficar forte e até mesmo mais bonito. E logo veio na cabeça que deveria comer apenas cereais, pois assim conseguiria tudo o que quer, todos tinham que olhar para ele e desejar ser como ele, assim ninguém o colocaria em outra posição que não fosse a de atacante. Ao chegar em casa, tomou o seu banho e foi ajudar sua mãe a preparar a mesa para o almoço e diz:
- Mãe, quero o meu cereal agora !!!!!!!!!!!!!!
- Não filho, isso é somente para o café da manha, e o almoço está quase pronto !
- Mas mãe quero agora !!
- Filho, por favor !! Não pode ficar comendo a qualquer hora !! Tem que se alimentar direito
- Mas mãe, na embalagem fala que é saudável, que tem vitamina !!!!!!!!!!?!? Porque não posso !?!?!?
- As vitaminas que esta escrito são apenas uma parcela do que é necessário para um dia inteiro, e não o única fonte de alimento, não pode comer apenas isso! E já disse que não vai comer, e pronto !!
Pedro sai da cozinha aos berros dizendo que irá fazer greve de fome, e que só irá comer se for o cereal. Bate a porte e se tranca no quarto. Sua mãe desesperada, tenta chamar o filho e nada de resposta !
Era quase no horário do jantar e Pedro ainda continuava trancado no quarto, e sua mãe, como não sabia mais o que fazer, atende ao seu desejo, e diz que poderia comer cereal. O prazer de Pedro era tanto, de comer a coisa que mais gostava, que conseguiu da sua maneira, fazer com que sua mãe lhe desse apenas cereais, caso contrario, greve de fome ... Isso durou dias, semanas .. Pedro apenas comendo cereais matinais ...
Um belo dia Pedro adoece, e vai parar no hospital.
No quarto onde estava internado , olha para a agulha que esta em seu braço, lhe enviando soro para que possa ficar forte novamente, pensa no que poderia estar fazendo naquele momento, brincando com seus amigos, jogando vídeo-game, podendo também estar comendo cereais toda manha. Sua mãe nesse momento entra no quarto e vê o olhar triste e arrependido de Pedro, e diz :
- Filho, aprenda que, só porque gosta muito de uma coisa, não se deve apenas deseja-la ignorando as outras coisas importantes para a sua vida. Tá vendo o que te aconteceu ? Está agora, aqui no hospital, nessa cama, querendo estar lá fora, rindo, brincando, mas devido ao seu capricho, está deixando de fazer tudo o que sempre gostou ... inclusive comendo cereais !!

24 de nov. de 2007

PODEMOS TER TUDO ?

Hoje temos uma filosofia de que podemos tudo e que devemos ter tudo. Somos educados a criar uma bolha individualista e egoísta ao nosso redor, com tantas opções a serem conquistadas, como se o nosso baú tivesse sempre que estar cheio, consumindo de tudo e a todos. Não podemos perder nenhuma liquidação, nenhum "sales off", nenhuma festa, nenhuma oportunidade para colocarmos na gaveta, agindo como se fosse realmente essencial. Como crianças que precisam sempre de mais, como se nao bastasse o carrinho que ganhara de Natal, mas também precisa do carrinho que seu amigo tambem ganhou. Será que a busca por " tudo eu posso, tudo eu quero" não está nos tornando egoístas e mimados ? Como a criança que adorou o carro que ganhou, mas o rejeita no primeiro instante ao ser comunicado que não terá o carrinho do seu amigo ?
As inúmeras opções que temos, nos faz pensar que ao escolhermos um teremos que largar o outro. Mas o que largar ? Quantos casacos teremos que ter em nossos cabides, mesmo sabendo que usaremos eventualmente a maioria deles, sabendo que há um preferido perfeito para todas as ocasiões ? Será que é somente para olharmos para o nosso guarda-roupa e nos sentirmos satisfeitos pelo o que há nele ? O que podemos, e como podemos enxergar o que realmente é válido largar ou ficar ?
Será que podemos ter tudo ?

22 de nov. de 2007

INTIMIDADE ...


Porque geralmente somos tão cruéis com quem somos mais íntimos ?Será que a intimidade nos faz perder a sensilibidade ?A intimidade pode realmente ser perigosa ... Despejamos na pessoa mais próxima toda e qualquer frustração, mau humor, ou seja lá o que for, ou até mesmo, deixamos de fazer algo justamente porque a intimidade também nos faz deixar de lado o que justamente o que a fez ser conquistada. Porque será que é tão mais romântico e gostoso o início de namoro ? A conquista, a falta de intimidade nos faz investir mais, nos faz aprimorar e exercitar o nosso lado conquistador, afinal, estamos em busca da tal difícil intimidade. Mas, porque ao passar o tempo, uma frase, um gesto, uma ação feita de uma forma inesperada se torna artigo de luxo ? Será que ao conquistada já não é necessário temperar mais nada, pois o sabor já não é tão importante, já que, o importante não é passar fome ?
Ontem me deparei com algo que sempre fiz e que devido ao passar do tempo havia "deixado de lado".. um "Eu te Amo" (via torpedo) dito aleatoriamente, sem ter recebido nada, sem nenhuma ação ou gesto vindo do outro lado que me fizesse ter que dizer isso, apenas afirmei o que sinto. Logo após eu ter aberto a famosa gaveta onde quardamos tudo foi importante mas deixamos de lado, mas sabemos que vamos precisar um dia, pensei, porque será que isso não é mais tão comum ? Só porque sei que amo e sou amado, deixa de ser importante afirmá-lo, assim gratuitamente, e não só quando temos a "obrigação" de dizermos o "eu também", quando o outro lado teve a iniciativa ?
Quero o mistério de volta ...

17 de nov. de 2007

O MUNDO É DE QUEM NÃO SENTE ...


O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção - a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alhieo, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.
Para agir é, pois, preciso que nos não figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias. Quem simpatiza pára. O homem de acção considera o mundo externo como composto exclusivamente de matéria inerte - ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque não lhe pôde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como à pedra, ou se afastou ou se passou por cima.


Fernando Pessoa, 'O Livro do Desassossego'

16 de nov. de 2007

Nos olhos...

O mais sábio a se fazer quando alguém lhe falar algo, não é ler os seus lábios, e sim os seus olhos ...

Descontentamento ...




Em mais uma de minhas buscas por respostas, encontrei uma frase do Oscar Wilde que reflete um pouco a minha atual situação ...

" O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação."

Fiquei pensando sobre essa frase sendo utilizada no quesito relacionamento. Quando será que o "não gostar" deixa de ser um sentimento próprio e o mesmo começa a interferir no outro ? Podemos não gostar de várias coisas por problemas nossos, e que o outro não tem nada com isso. Mas se é importante para um não deveria ser para o outro ? Ou ainda tenho a visão do amor muito desatualizada ? Romântico demais ...

Quando se fala de relacionamentos, qual é a linha que separa um "não gostei", para um "não quero que faça?" ... Saber o que o outro gosta ou deixa de gostar, o que é relevante para um ou para o outro seria fundamental , mas como chegar um acordo quando as duas opiniões não chegam a lugar algum ? Quem vai deve colocar na balança ?

A briga de egos que gera apartir disso é imensa ( sei por experiencia própria) . Quando devemos deixar de fazer algo pelo outro porque o mesmo acha importante ? E porque continuar mesmo sabendo que isso pode novamente voltar ao ponto de partida ?

O quanto é importante deixar de fazer algo que "gostamos" porque o outro "não gosta" ?


Ola pessoas ....

Depois de muito pensar, refletir, resolvi fazer um blog...
Mas para que criar um ? Terapia sem custo ? Exibicionismo ? Não tenho realmente o que fazer ?
Não sei ... acompanhem e vejam em qual deles me encaixo.